A redução de Filosofia, Sociologia e História nas escolas paulistas não é erro de gestão, mas uma estratégia para desarmar o senso crítico e facilitar a dominação política.
SÃO PAULO/SP – O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) está conduzindo um experimento perigoso com o futuro do estado. Sob o pretexto de “modernização” e foco no ensino técnico, a Secretaria da Educação promove uma verdadeira limpeza nas grades curriculares, atingindo o coração das Ciências Humanas. Filosofia, Sociologia e História — os pilares da formação cognitiva e cidadã — estão sendo reduzidas a fragmentos, ou simplesmente eliminadas, em um processo que muitos denunciam como uma tentativa maquiavélica de paralisar o cérebro dos adultos de amanhã.
A Morte da Crítica e o Nascimento do Adestramento
Para o governo, o estudante não deve ser um pensador, mas uma peça de engrenagem. Ao minguar as disciplinas que discutem ética, política, direitos sociais e lutas históricas, o Estado retira do jovem as ferramentas necessárias para que ele entenda o mundo para além da obediência técnica. Sem o pensamento abstrato e a análise crítica proporcionados pelas Humanas, forma-se um exército de trabalhadores alienados, fáceis de serem manipulados por discursos autoritários e incapazes de questionar as injustiças sociais.
O Professor como Inimigo e a Educação como Mercadoria
O projeto de desmonte caminha de mãos dadas com a precarização do trabalho docente. Professores de Humanas são hoje tratados como descartáveis, enfrentando desemprego ou atribuições de aulas em áreas que não são sua especialidade. A lógica é empresarial: o professor é um custo e o aluno é um cliente de um serviço simplificado.
Ao sucatear a escola pública e desvalorizar o profissional, o governo Tarcísio empurra as famílias para a privatização. Cria-se um abismo intransponível: o filho do rico terá acesso à Filosofia e à formação de liderança em colégios particulares de elite; ao filho da classe trabalhadora, resta o treinamento mecânico e a submissão intelectual.
A Lógica do Controle Social
Uma sociedade que não estuda sua História está condenada a repeti-la. Uma juventude que não conhece Sociologia não compreende as causas da desigualdade que a sufoca. Este é o projeto maquiavélico: paralisar o desenvolvimento cognitivo para que o cidadão de amanhã não saiba reivindicar, não saiba votar com consciência e aceite a exploração como algo “natural”.
Os Pilares do Desmonte na Educação Paulista
| Disciplina Alvo | O que o Aluno Perde | O que o Governo Ganha |
| Filosofia | Capacidade de questionar e usar a lógica. | Um cidadão que não contesta ordens. |
| Sociologia | Entendimento sobre direitos e desigualdade. | Uma massa que aceita a precarização. |
| História | Consciência sobre o passado e lutas sociais. | Uma geração sem identidade e fácil de enganar. |
| Trabalho Docente | Segurança, saúde mental e dignidade. | Economia de custos e silenciamento da categoria. |
O governo Tarcísio não quer apenas governar São Paulo; ele quer moldar a mente de quem viverá nele. O ataque às Humanas é um ataque à própria democracia. Defender a Sociologia, Filosofia e a História nas salas de aula é, antes de tudo, lutar para que o futuro não seja um lugar de trevas intelectuais e escravidão mental. Uma geração alienada é o maior troféu de um governo que teme o povo que pensa.


